
Vamos falar um pouco sobre as chances diárias de situações que não estão no nosso controle, ou seja, as que são dependentes de ações e atitudes alheias. Em um relevante estudo de Sonja Lyubomirsky, pesquisadora e professora de psicologia da Universidade da Califórnia (EUA), a felicidade é 50% determinada por fatores genéticos, ou seja, intervimos muito pouco nesses fatores; 10% determinada pelas circunstâncias ou pelo meio externo, também difíceis de serem controlados; e 40% determinada pelo estado interno da mente ? nisso podemos intervir com mais possibilidades de êxito. Nessa perspectiva, há sim uma predisposição genética para a felicidade, mas também podemos construí-la ao longo da nossa existência.
A nossa natureza humana não foi feita para lidar com a probabilidade, por isso a maioria sofre com as situações que fogem do seu controle gerando ansiedade. Isso explica por que muitas vezes não percebemos o impacto que a aleatoriedade tem em nossas vidas, mas não significa que tudo seja aleatório, apesar de ser um percentual ainda alto. Dentro do papel da aleatoriedade no sucesso e no fracasso no mundo profissional, por exemplo, é comum ouvirmos pessoas de sucesso dizerem que chegaram lá devido as suas qualidades pessoais e de suas ações. O que raramente é considerado é quantas outras pessoas, com as mesmas qualidades e atitudes, não tiveram o mesmo resultado.
Muitas vezes, quem tenta replicar esses caminhos se frustra porque, apesar do esforço, ignora que o sucesso depende não só de competências, mas também de circunstâncias fora do nosso controle. Curiosamente, tendemos a acreditar que nossos sucessos são fruto de nossas habilidades, enquanto nossos fracassos são apenas azar. Isso nos leva a um fenômeno chamado viés do sobrevivente. É a ideia de que prestamos atenção apenas aos casos de sucesso (os que "sobrevivem") e ignoramos os que falharam. É como se olhássemos para um grupo de mulheres bem-sucedidas em suas carreiras e atribuíssemos esse sucesso a um hábito específico ou estilo de vida, esquecendo todas as outras mulheres que fizeram o mesmo, mas não chegaram lá.
Esse viés nos ilude, nos fazendo acreditar que há um caminho único para o sucesso. E isso pode ser frustrante, porque nem sempre temos controle sobre os fatores aleatórios que contribuem para os resultados.
Além disso, pequenos eventos aleatórios podem gerar grandes impactos ao longo do tempo. Um exemplo clássico é como algumas pessoas ou empresas parecem prosperar sem serem necessariamente as melhores. Isso ocorre porque o sucesso inicial cria uma espiral positiva: quanto mais as pessoas acreditam no sucesso de alguém, mais elas contribuem para que isso se torne realidade. Como Lidar com o Acaso Diante de tanta aleatoriedade, como podemos crescer e prosperar? A resposta não está em tentar controlar tudo, mas em aprender a viver em harmonia com o acaso extraindo aprendizado em todas as situações o que aumenta a nossa capacidade de resiliência.
Essa abordagem pode ser inspirada pelo estoicismo, que ensina que:
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1. Devemos focar no que está ao nosso alcance controlar. Quando nos atentamos a isso, aprendemos a levar as nossas ações com mais seriedade e persistência, sabendo que estar preparado é mais importante, pois aprendemos muitas coisas ao longo de toda a jornada. Em uma prova de atletismo, por exemplo, um só irá ganhar o prêmio final, mas o preparo é crucial para todos que disputam a prova.
2. É importante aceitar o que não podemos mudar: isso nos mostra que apesar de todo o preparo e envolvimento que podemos ter com alguma situação, ainda assim os 10% que não controlamos existe, então, essa aceitação dará uma resposta prévia ao nosso cérebro, entendendo a possibilidade.
3. Ao abraçar a incerteza, podemos usar o acaso como um aliado, em vez de vê-lo como um inimigo: esse fator pode ser mais um motivo para aumentar o foco e o preparo para buscar aquilo que queremos. Com esse pensamento podemos desenvolver maior potencial de conquista e aumentar as chances de chegar lá.
Aceitar que o acaso é parte da vida pode até nos tornar mais felizes. Estudos mostram que quem consegue lidar melhor com o imprevisto tem mais chances de encontrar equilíbrio e satisfação. Isso não significa abandonar a busca por seus objetivos, mas aprender a adaptar-se e a enxergar oportunidades nos momentos inesperados. Essa visão pode ajudar mulheres a entender que o crescimento pessoal não é linear, e que a vida é cheia de variáveis incontroláveis. Porém, ao reconhecer isso, podemos nos libertar da ideia de "receitas mágicas" para o sucesso e começar a construir uma trajetória autêntica, resiliente e cheia de propósito.