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Inúmeras pessoas vivem no estresse por querer fazer tudo e também por querer agradar a todos. Quando estabelecemos limites dentro das nossas possibilidades reais, vemos tudo se transformar, e, assim, acordamos para o mundo onde não precisamos ser um super-humano.


A perfeição é inalcançável, pois cuidar da nossa própria vida já não é tarefa nada fácil, quem dirá querer resolver a vida de todos a nossa volta no intuito de agradar.


Desde crianças fomos educados para esconder as nossas vulnerabilidades, seja na escola, em casa, no trabalho, e em todos os lugares que frequentamos. Essas diretrizes sempre foram exigidas de nós, a fim de parecermos perfeitos e não mostrarmos aquilo que nós temos como vulnerabilidades, ou seja, as nossas fraquezas. 


Mas você já se perguntou: e se isso tudo estiver errado? E se isso estiver prejudicando o nosso próprio crescimento como ser humano? Essa cultura de fugir da vulnerabilidade pode estar errada, sim. Segundo pesquisadores, como destacou Brenne Brown, em seu livro: ?A Coragem de Ser Imperfeito?, isso pode nos impedir de mostrar o nosso melhor, nos fazendo seres vergonhosos e retraídos quando estamos diante de mais pessoas. Para uma mudança acontecer, temos que perder a vergonha da exposição das nossas fraquezas. Esse comportamento aprendido desde muito cedo nos impede de crescer, pois sempre haverá uma barreira a ser derrubada nas coisas. Então a proposta de Brown é de que a gente assuma as nossas vulnerabilidades como um ato positivo para nos desfazer da timidez, da rigidez e da falta de coragem. A vergonha nasce do medo de se desconectar do grupo social ao qual quer se sentir incluído, de não parecer ser bom suficiente e atender as expectativas dos outros. Com certeza você já deixou de fazer alguma coisa por vergonha ou pelo medo do julgamento alheio. E de onde vem essa vergonha se todo ser humano tem suas vulnerabilidades? Muitas vezes, para pertencer a uma sociedade e agradá-la, você deixa de arriscar-se a vulnerabilidade e não expor aquilo que julga ser o seu principal defeito. Biologicamente temos um mecanismo de nos importar com a opinião que os outros têm a nosso respeito, e por isso desenvolvemos esse medo de sofrer a exclusão.


Deixamos de colocar a nossa criatividade ou ideias em prática pelo receio de que não aprovem o nosso trabalho, e assim deixamos muitas oportunidades passar na nossa cara. É uma forma também muito cruel de negar os próprios sentimentos, de guardar as emoções para si. 


Essa sensação de que você não é suficiente gera um ciclo vicioso de comparação, vergonha e desmotivação que te impede de evoluir. As redes sociais têm piorado essa sensação devido aos cortes onde só se expõe a parte perfeita da vida das celebridades. Esse nível de comparação pode levar a doenças psicológicas pela sensação de que somos diferentes e inferiores às pessoas que vemos nas redes. Esses padrões inalcançáveis passam a ser os parâmetros numa caçada impossível. Por exemplo, uma mulher que se compara com uma celebridade, querendo parecer ter o mesmo corpo, seu nível social e suas condições financeiras, torna-se vítima da sua própria armadilha.


Querer atender a padrões estipulados pela mídia, e se envolver assim somente para pertencer a um grupo, dificilmente vai agradar aos outros e, pior, vai estar sempre se desagradando. Esse tipo de comportamento aumenta a insegurança e o sentimento de que não é suficiente o bastante para atender as outras pessoas. Tira o senso de merecimento e de valorização de suas qualidades natas. 


A vulnerabilidade é uma força que está na raiz de sentimentos positivos, não é possível ser corajoso sem ser vulnerável. Toda vez que nos arriscamos expomos as nossas vulnerabilidades. Isso nos dá força, nos tira da zona de conforto, da rejeição e do perfeccionismo. Não é possível expor o amor e qualquer outro tipo de sentimento sem colocar a nossa vulnerabilidade a prova, e o fato de não sermos aceitos pode ser algo positivo naquele momento, pois isso pode nos dar o empurrão para buscarmos novos ambientes. Para ter novas experiências é preciso se arriscar, e podemos usar essa força a nosso favor nos aceitando por completo no trabalho, na vida social, na vida pessoal, nos estudos e onde quer que estejamos. 


Agora que já mudamos a nossa visão e sabemos que a vulnerabilidade é na verdade uma força, uma qualidade presente em todos, podemos cercar os gatilhos que nos impedem de expor o que temos a oferecer e que vai nos ajudar a se desenvolver gradativamente, sem achar que temos que nascer prontos na perfeição. Essa mudança de pensamento vai mudar as nossas atitudes, o que trará mais oportunidades, crescimento, segurança e autenticidade. Nos tornaremos seres mais empáticos, pois passamos a aceitar as dificuldades e vulnerabilidades nas outras pessoas justamente por acolher e respeitar as nossas.


Quando temos o costume de julgar, avaliar ou até mesmo rir dos fracassos alheios, significa que o medo de falhar está em nós. Nessa tentativa de sermos perfeitos, vamos enraizando esse comportamento fixo e tóxico que faz com que o ambiente a nossa volta se mantenha do mesmo modo. A coragem de assumir nossa imperfeição vai nos levar a excelência, pois a partir do momento que queremos muito algo e o praticamos, mesmo ao errarmos iremos aprender mais, detectar as falhas e corrigir o que pudermos, assim, vamos ficando cada vez melhores nessas mesmas atividades. 


Para abandonar a vergonha, o melhor caminho é aceitar por completo a suas imperfeições e usá-las a seu favor. Temos que parar de achar que todos estão preocupados com o que estamos fazendo, ou que estão apenas procurando erros em nós, essa voz ecoa em nossa mente e, na maioria das vezes, são equivocados. Na verdade, o que importa é o seu avanço, são seus pequenos resultados, ou seja, aquilo que vai te levar para um nível de elevação gradativa. Se você está perdendo oportunidades na vida, se você já percebeu que muitas coisas estão passando porque você não tem coragem de se expor, de se mostrar, de oferecer ajuda por medo de errar, está na hora de fazer uma mudança e tirar a vergonha da frente e ser quem você nasceu para ser de verdade.